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Adoração Bíblica para Hoje

Adoração Bíblica para Hoje

Recentemente temos estudado em nossa igreja conceitos importantes sobre a Adoração Bíblica e desejamos no espaço deste blog deixar registrado algumas reflexões sobre esse tema. Obviamente que não é um tratado para se esgotar o assunto e nem uma receita para igrejas e crentes cegamente seguirem. Longe disso!

É nosso intuito trazer algum conhecimento para a nossa reflexão sobre como podemos adorar a Deus.

Para começar, precisamos definir o conceito de adoração: há duas palavras gregas que trazem luz para o conceito de adoração: “proskunein” (render-se - também essa é a palavra grega que traduz o termo hebraico para adorar “shachah”) e “latreia” (servir). Conforme o dr. Russel Shedd muito bem apresenta em seu livro Adoração Bíblica, esta atitude de rendição e serviço ao Criador definem o que é adorar a Deus. Mas há dois sentidos que precisam ser delineados quando abordamos esse assunto: adoração no sentido generalizado do termo e o seu sentido restrito. O Sentido generalizado ou genérico da adoração refere-se ao propósito para o qual fomos criados e resgatados pelo Senhor Jesus (conf. Efésios 1:11-12). Rick Warren, em seu livro Uma vida com propósitos, explica em detalhes que a adoração a Deus não é uma parte de nossa vida, mas é a essência e totalidade dela. Em outras palavras, vivemos em adoração em tudo que fazemos, falamos ou pensamos como o apóstolo Paulo menciona em sua carta aos colossenses (Colossenses 3: 16-17). A adoração passa a ser encarada como um estilo de vida que Deus preparou para nós, a qual terá sua continuidade na eternidade!

Mas há também o sentido restrito do termo “adoração”, o qual nos remete ao momento específico de louvor durante as celebrações públicas nas igrejas. Assim como a adoração individual no privado não exclui e nem se opõe à adoração pública e coletiva, assim também o sentido restrito não exclui e nem se opõe ao sentido genérico da palavra adoração. Na verdade, todas essas dimensões são camadas e aspectos da adoração que interagem entre si e se complementam.

E quanto à adoração no sentido restrito, desejamos expor alguns conceitos que devem permear o louvor e adoração do povo de Deus. O termo “louvor” é utilizado aqui para denotar o momento litúrgico do culto que é popularmente usado nas igrejas do Brasil. Aqueles que cuidam e lideram o louvor ao Senhor nas igrejas precisam considerar alguns
pontos importantes no preparo e execução de seu serviço como ministros, músicos e adoradores:

1. Louvor e Unidade da igreja - no momento de adoração deve-se enfatizar a unidade da comunidade, pois em Cristo somos um; o mesmo se aplica à doutrina da mesma fé, um só batismo e no Espírito Santo somos um. Estamos adorando a Deus Pai no culto público no mesmo propósito com o sentimento de que somos um com Cristo pela fé. A unidade temática do culto deve refletir tais princípios de fé e de doutrina, sempre no fluir do Espírito.

2. Louvor e a Diversidade da igreja - a beleza do povo de Deus está na sua diversidade: homens e mulheres, empregadores e empreendedores, gente culta e gente indouta, jovens e idosos, crentes com os mais variados e diferentes dons, todos juntos atuando com a sua individualidade no serviço (um dos sentidos do termo adoração) e manifestando a multiforme Graça de Deus. Isso se refletirá na diversidade dos estilos de músicas, na diversidade de expressões de louvor, na multiplicidade e criatividade de recursos e meios para se conduzir o povo na adoração.

3. Louvor e Qualidade da igreja - Como é bom cantar louvores ao Senhor e há arte nisso: poesia e música. Como é bom render graças a Deus e há técnica envolvida nisso também: a liturgia segue um processo pedagógico previamente planejado estudado e aplicado no culto. Esse processo é cristocêntrico pois seu fio condutor é Jesus e seu auge no culto é revelar mais de Jesus. As escolhas das músicas seguem também a teoria musical (tons maiores e menores conforme o ambiente que se deseja proporcionar aos adoradores. Também filtro teológico nas letras se faz necessário (isso vemos nas poesias de Salmos!), pois existem músicas boas melodicamente, mas inadequadas na sua teologia. Também temos a administração de recursos humanos (escolher, treinar e ensaiar pessoas), com uma boa psicologia para conciliar temperamentos diferentes e relacionamentos na equipe de louvor. É realmente muito bom adorar ao Senhor e há de se exigir empenho das pessoas quanto aos ensaios, pesquisa, reuniões, aperfeiçoamento, gastos com melhores equipamentos, paciência e resiliência, propósito de trabalho alinhado com a visão da igreja. Engana-se quem imagina que o louvor de uma igreja não deve ser desenvolvido com qualidade em todos os sentidos e áreas!

4. Louvor e a Identidade da Igreja - a expressão de adoração sempre é coerente com a natureza e a identidade do grupo que louva ao Senhor. E aqui há vários pontos fundamentais para alistar:
a) identidade doutrinária e de sua confissão denominacional;
b) identidade cultural (língua, costumes, subculturas, etc.);
c) identidade contextual - o cotidiano da congregação, suas lutas e anseios, suas perguntas e buscas devem aparecer no louvor. Como exemplos bíblicos disso, vemos Jó e suas perguntas, Davi e suas lutas e pecados, os judeus na Babilônia chorando e cantando com esperança, a igreja primitiva sob pressão das autoridades judaicas, etc.
d) o binômio tradição-atualidade - a identidade de uma comunidade também abarca a tradição e a atualidade de seu povo; e ambos não são excludentes, pois há uma tradição na atualidade e também há atualidade na tradição com os temas universais abordados outrora, bem como agora e também no futuro serão usados. Mas o importante é que se faça um filtro com a Palavra de Deus na tradição e na atualidade e que se extraia delas o que for bom para a edificação do corpo de Cristo. Repetimos: a tradição no louvor e a contemporaneidade no culto não estão competindo entre si, mas cada um tem o seu valor e contribuição para aprimorar o outro.

5. Louvor e a Espiritualidade - João 4: 24 “Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade". Esse verso tão importante não pode ser tratado como um “chavão evangélico” esvaziando de seu sentido. O pr. Augustus Nicodemos, em seu livro O Culto segundo Deus, expõe a mensagem do profeta Malaquias a respeito da restauração da adoração verdadeira ao Todo-Poderoso, que muito pode nos colocar na vereda correta para restaurarmos o conceito de uma adoração em espírito e em verdade. Augustus Nicodemus descreve cada capítulo de seu livro para as colunas básicas da verdadeira adoração: ela exige devoção sincera, ela exige vida moral reta com obediência ao Senhor e ela exige temor ao nome do Senhor. Sendo assim, a espiritualidade no culto não é sinônimo de uma euforia mística desconectada com a realidade das Escrituras e da vivência cristã digna do adorador!
Desejo concluir de forma inusitada: com um poema. Quem sabe alguém possa compor uma música e juntar a harmonia com a poesia, para que mente e coração possam ser edificados para o louvor e honra de nosso Senhor Jesus.

Pneumotopsia
O homem é pecador
Peca tão facilmente
Que ele, só de pensar,
Já pecou e trouxe dor.

O homem é um fingidor
E finge tanto e tão bem
Que convence a si mesmo
Que nunca foi um transgressor.

Mas que é o homem afinal,
Pra que Deus se lembre dele?
Mas quem é ele para que
Receba a Luz do Salvador?

O homem não é alguém que mereça
Do Trono Divino qualquer benefício;
Mas Deus o ama e faz o seu ofício:
O Senhor veio pra que o crente não pereça!

Cristo Jesus, meu Deus e Senhor,
Grato sempre quero exaltá-lo
Com meu viver, vou agradá-lo
Pois por mim morreu, meu Salvador.

pr. Ademir Caitano Alves
Dezembro de 2021


Referências bibliográficas
COELHO FILHO, Isaltino G. Teologia dos Salmos - princípios para hoje e sempre. Rio de Janeiro> JUERP, 2000.
HERON, Mike. Criados para adorar. Niterói: BV Films Editora Ltda, 2009.
NICODEMOS, Augusto. A teologia do Culto. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012.
SHEDD, Russel P., Adoração bíblica. São Paulo: Editora Vida Nova, 1989.
WAREN, Rick. Uma igreja com propósitos. São Paulo: Ed. Vida. 2001.
__________. Uma vida com propósitos. São Paulo: Ed. Vida. 2001.
WITT, Marcos. O que fazemos com estes músicos? São Paulo: W4 Comunicação e Editora, 2008.


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